28/02/2010

PETER E AS PORTAS FECHADAS


Não existiam portas. A respiração não era contida. A entrada fluía directamente sem qualquer espécie de receio. E ainda que ao tremer de emoções as portas estremecessem, mantinham-se escancaradas, sem medo. Lentamente, o espaço de entrada foi diminuindo. As portas foram deslizando ao encontro uma da outra. A entrada directa foi substituída por um longo corredor martelado que ninguém consegue ultrapassar. No último tremor, as portas embateram uma contra a outra, fechando-se sem qualquer respiração. A solidão virou as costas às portas, cuja fechadura envelheceu enferrujada pelo medo. E ainda que lá mesmo ao fundo desse eterno corredor consiga vislumbrar uma imagem que alguém que se parece comigo, a entrada tornou-se proibída.

4 comentários:

  1. Muito interessantes, Pedro, os teus exercícios psicológicos e muito inteligentes. Este texto é um desafio para mim,gostei imenso e voltarei para o reler.
    Um abraço.
    Branca

    ResponderEliminar
  2. Descobri agora.
    Parabéns.
    Fiquei.
    C.-L

    ResponderEliminar
  3. Brancamar, o melhor exercicio é tentar a voltar abrir as portas!

    ResponderEliminar

sonhas tu que...