06/06/2009

PETER NUMA CASA SEM SILÊNCIO


O despertador não toca. Abro a janela sem tempo e o sol invade-me esse outro quarto que se apropria de mim. Desço as escadas. Vejo os vossos rostos pendurados nas paredes. A casa não está em silêncio. À noite, a casa nunca está em silêncio. As palavras atropelam-se num passado de hitórias que conhecemos mas que repetimos sem ansiedade que se esgotem. O meu despertador nunca toca e nunca há silêncio. Existe uma espécie de calor que vem dessas fotos, dessas paredes. Um calor de quem está sentado à lareira, ainda que sem cinzas, em corpos que agora entendem que nunca há silêncio nesta casa. O cão ladra. E ainda que por instantes haja uma espécie de silêncio, ou porque vocês agora não estão aqui, ou porque não olhei as fotos, o cão ladra, não permitindo o silêncio nesta casa onde me encontro comigo entre histórias que nunca esquecemos em família.

4 comentários:

BM disse...

Gostei muito deste texto Pedro!

Abraço

pedropina disse...

BM: Oh...Obrgd!
um abraço

korrosiva disse...

Essa ausência de silencio faz-te bem, aproveita esses momentos, porque nestas alturas o tempo voa!

beijinhoss

pedropina disse...

korrosiva : sim, os dias tornam-se curtos...!