12/10/2010

PETER CAIU DO ARMÁRIO




Essa parede branca, onde outrora enroscaste cuidadosamente o parafuso para pendurar esse armário novo, no qual as tuas mãos entuasiasmadas colocavam pratos cristalinos que habitavam uma prateleira direita, tentam agora segurar uma porta enferrujada sem equilibrio. Vês o armário vazio tentar segurar-se nesse velho parafuso, onde um cheiro a podre substitui os velhos moradores. Os pratos, deixaste-os cair, apodrecer e não conheceram substitutos. A prateleira entortou e ainda que segures essa porta enferrujada, sabes que pouco te resta daquilo que não cuidaste, que não amaste, além da sombra do que podia ter sido. Hoje essa parede suja, sustenta esse armário velho, vazio, podre que te recorda tudo aquilo que desperdiçaste e tomaste como garantido.

4 comentários:

Tiago disse...

E eu sempre ouvi dizer que nunca se deve tomar nada como garantido... Mais depressa o perdemos.

caracóis disse...

tu deixas-me sempre sem palavras...
C-L

PEDRO PINA disse...

Muito obrgd pelas vossas palavras, principalmente por virem ler depois de tanto tempo sem escrever!

BRANCAMAR disse...

Nada se pode tomar como garantido, Pedro, tudo deve ser bem cuidado, a começar por nós próprios.
Pois já venho por aqui há uns dias e vi que escreveste coisas novas, mas eu também não tenho andado muito disponível para comentar, Hoje vim ler de novo estes dois ultimos posts e cá estou a dizer olá.
Fica bem.
Beijinhos
Branca